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O Kyan-pô não é, por tradição, vinculado diretamente ao cristianismo. Entretanto, sua forma de pensar colabora para interpretar e assimilar novos conhecimentos (vide o livreto Ponto Final). Além disso, algo especial aconteceu:  tivemos um grande mestre de KP de formação cristã, que orientou nas leituras e interpretações de várias passagens bíblicas, demonstrando o quanto o conhecimento  de certas 

verdades são universais.
Um desses conhecimentos que é estudado no KP (a renúncia interna) é bem exposto em uma parábola cristã, na qual Jesus alerta: "... é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus." (Mt 19,24) (Mc 10,25) (Lc 18,25)
Vamos dividir a parábola em duas partes: uma é difícil (como passar um camelo pelo buraco de uma agulha?) e a outra, demonstra ser impossível (como um rico entrará no reino dos céus?)
Independente do que signifique exatamente  “passar um camelo pelo buraco da agulha” é notório que o Cristo está se referindo a algo difícil de acontecer e, conseqüentemente, percebe-se que a  segunda parte é ainda mais difícil “um rico entrar no Reino dos Céus”. O que ele está querendo dizer? Será que Jesus prega contra os ricos? Para sermos mais precisos, devemos entender melhor a composição psíquica do ser humano. Você conhece gente rica, mas humilde? E pobre, mas orgulhoso? A questão que o Cristo nos coloca não está relacionado com o TER, mas com o SER.
O “rico” da parábola é aquele que se acha “mais” que os outros. É aquele que se acha mais religioso, mais santo, mais honesto, mais puro, mais cristão, mais corajoso, mais humilde, mais esperto,  mais virtuoso, mais merecedor do céu etc. É esse orgulho desmedido que nos faz ser o “rico” da parábola. O aviso é claro: o arrogante, o orgulhoso e o prepotente não terão espaço no Reino dos Céus.
A questão não é o dinheiro, ele não corrompe ninguém. Ele apenas mostra quem a pessoa é!